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Aos 89 anos, carpinteiro já fez e doou mais de 10 mil muletas em 48 anosAos 89 anos, carpinteiro já fez e doou mais de 10 mil muletas em 48 anos

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Publicado em 26/04/2019, Por G1/Conti Outra

Se algum dia alguém te perguntar o significado do termo “dedicação ao próximo”, use o exemplo deste carpinteiro de São Carlos (SP), que aos 89 anos já fez e doou mais de 10 mil muletas e 4 mil bengalas.

“Faço porque é uma coisa muito necessária, é do fundo do meu coração”, disse Nicola Gonçalves ao G1.

A ideia de fazer muletas e bengalas surgiu em 1972. “…minha tia quebrou a perna e ela pediu para eu fazer uma muleta. Passou algum tempo, um morador veio pedir para eu fazer outra, depois veio outro e pediu a mesma coisa e assim foi. (….)Antes eu fazia brinquedos e levava para crianças, sempre tive essa mania de ajudar. Nunca fiz nada com intenção de ganhar dinheiro, o importante é ajudar”, disse o carpinteiro.

Com o passar dos anos, Nicola passou a produzir mais muletas e hoje são feitas duas por dia. A internet ajudou a intensificar os pedidos e o aposentado diz que nunca deixou de fazer para quem precisa.

Hoje, com dificuldade para manter-se em pé, ele tem a ajuda do filho e do neto que preparam a madeira que será usada para fazer as muletas e bengalas. “A pessoa vem aqui, tira as medidas e no outro dia eu entrego. Meu filho sempre deixa a madeira pronta para fazer, quando eu pego para montar demora cerca de duas a três horas”, relatou Nicola.

As muletas e as bengalas custam em média R$ 20 e R$ 6, respectivamente. Os gastos mensais do aposentado com a produção são de R$ 1,2 mil. Gonçalves disse que nunca pediu dinheiro para as pessoas pelas peças, mas que alguns ajudam como podem.

“Eu uso a madeira, parafuso, prego e a borracha. Algumas pessoas me dão R$ 20 para ajudar nos custos do material, mas nunca pedi ou cobrei. Eu doo para quem precisa, faço para aquela pessoa que vai utilizar para sempre, quem teve a perna amputada ou tem algum outro problema”, relatou o aposentado.

Após tantos anos, o carpinteiro irá parar de produzir nos próximos meses. Por conta da saúde, ele disse que não consegue mais fazer como antes e que já concluiu o seu objetivo. “Eu vou parar daqui um tempo. Não consigo mais ficar em pé, tem dias que minhas pernas não aguentam e tenho que ficar sentado o dia todo. Meu filho e o neto me ajudam nas horas vagas, mas agora chegou a hora de parar”, disse Gonçalves.

(FOTOS: CLAUDINEI JUNIOR/G1)