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Descoberta de água na Lua pode viabilizar colonização humana, dizem especialistasDescoberta de água na Lua pode viabilizar colonização humana, dizem especialistas

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Publicado em 28/10/2020, Por GZH

A descoberta de água em uma cratera na Lua pode ser uma etapa decisiva para que se estabeleça no satélite natural da Terra um assentamento humano, de acordo com estudiosos. A descoberta foi anunciada na segunda-feira (26) pelo Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha da Nasa (Sofia).

Embora a quantidade de água localizada no solo tenha sido pequena - de abundância de cerca de cem a 400 partes por milhão, ou 1% do que se encontra nas areias do deserto do Saara -, a descoberta deixou a comunidade científica animada com a possibilidade de haver um volume maior no subterrâneo. A água foi detectada em altas latitudes em direção ao polo sul da Lua.

— A descoberta é uma grata surpresa — explica Alejandra Romero, professora do Departamento de Astronomia da Universidade Federal do RS (UFRGS). — Nas missões Apollo à Lua nos anos 1960 e 1970, se acreditava que a Lua era seca, em razão de não haver atmosfera. Nos anos seguintes, aventou-se a possibilidade de haver moléculas de água nas partes mais escuras das crateras, mas isso nunca tinha se confirmado, até agora — completa.

A presença de um volume maior de água nas profundezas do satélite da Terra - o que ainda precisa ser confirmado pelo envio de sondas em um futuro próximo - poderia tornar a Lua um posto avançado da humanidade para missões espaciais mais longas. Além disso, as reservas podem ser relativamente acessíveis.

O recurso poderia ser tratado e usado para beber, separado em hidrogênio e oxigênio para uso como propelente de foguete, e o oxigênio pode ser usado para respiração.

— A colônia na Lua pode ser a primeira parada para uma viagem a Marte — explica Alejandra.

Mandar novamente um homem à Lua é a aspiração do Projeto Artemis, da Nasa, a agência espacial americana. A última vez que isso ocorreu foi em 1972. A meta, agora, é enviar uma nave tripulada em 2024.  Antes disso, no entanto, serão necessárias algumas viagens para testar sistemas e tecnologias. Em parceria com empresas privadas, a Nasa pretende enviar uma missão não tripulada à Lua já no ano que vem.

Apesar das notícias animadoras, algumas perguntas permanecem. Uma delas é a forma em que a água existe. Uma possibilidade é que ela seja dissolvida no "vidro" lunar, criado quando meteoritos atingem a superfície da Lua. Outra hipótese é a de pequenos cristais de gelo que podem estar distribuídos entre os grãos do solo lunar. Neste caso, a extração da matéria prima seria mais simples.

— Entender esta forma é fundamental para conhecer a técnica que seria utilizada para extração dessa água, se são ferramentas de que a humanidade já dispõe ou se ainda precisa desenvolver — observa Sônia Gonzatti, professora de Física e a integrante do projeto de extensão em Astronomia da Universidade do Vale do Taquari (Univates).

Além das novas fronteiras que podem se abrir à exploração espacial, a descoberta anunciada na segunda-feira levanta novas questões sobre como a água é criada e como ela persiste na superfície lunar áspera e sem ar. A hipótese mais provável é que ela tenha chegado à Lua em asteroides e meteoritos, da mesma forma que alcançou a Terra.

Essa água teria se congelado a -130ºC em sua camada mais superficial, mas estaria em uma condição mais próxima ao estado líquido em camadas inferiores.

— Esse tipo de informação nos permite conhecer a história da formação da Lua, seu histórico de pressão e da atmosfera. Por exemplo, essa fase da água é a mesma desde o tempo em que se formou na superfície ou esse gelo surgiu em uma Lua com outras condições atmosféricas? É uma oportunidade muito interessante para conhecermos mais a fundo o nosso satélite — analisa Márcia Barbosa, professora de Física da UFRGS.

(FOTO: PIXABAY)