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Cientistas encontram gás que aponta indícios de vida em VênusCientistas encontram gás que aponta indícios de vida em Vênus

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Publicado em 14/09/2020, Por Correio do Povo e AFP

Uma equipe de cientistas, da Sociedade Real de Astronomia, anunciou ter encontrado uma molécula de fosfina nas nuvens de Vênus. Extremamente raro, na Terra o gás só é encontrado industrialmente ou microorganismos que vivem em ambientes livres de oxigênio. A descoberta, que pode apontar a existência de vida fora da Terra, foi publicada na Nature Astronomy. “Quando encontramos os primeiros sinais de fosfina em Vênus, foi um choque", disse a líder da equipe Jane Greaves, da Universidade de Cardiff.

"Pode vir de processos desconhecidos de fotoquímica, ou geoquímica, ou, por analogia com a produção biológica de fosfina na Terra, graças à presença de vida", explica o estudo. Este composto é encontrado nos planetas gigantes gasosos do sistema solar. Pprém, neste caso, não tem origem biológica.

A presença de fosfina, um composto altamente tóxico, não é incompatível com a atmosfera do segundo planeta mais próximo do Sol. Sua atmosfera de gás carbônico, a 97%, tem uma temperatura de superfície em torno de 470°C, com uma pressão mais de 90 vezes maior que a nossa. É na espessa camada de nuvens hiperácidas, que cobre o planeta até cerca de 60 km de altitude, que o estudo supõe que as moléculas de fosfina possam ser encontradas.

Segundo a equipe, que inclui pesquisadores do Reino Unido, Estados Unidos e Japão, a descoberta pode excluir várias possibilidades, e confirmar a existência de vida em Vênus vai precisar de muito mais trabalho. Apesar das nuvens de Vênus terem temperaturas de 30ºC, elas são muito ácidas, chegando a quase 90% de ácido sulfúrico, o que tornaria muito difícil para qualquer micróbio sobreviver nessas condições.

 

Hipótese de uma forma de vida

Mas de onde vem? A professora Greaves "espera ter levado em consideração todos os processos que possam explicar sua presença na atmosfera de Vênus". A menos que se identifique um novo, permanece a hipótese de uma forma de vida.

Nesta hipótese, "pensamos que deveria ser pequena, para flutuar livremente", explica a cientista, cujo estudo "insiste em que a detecção da fosfina não é uma prova robusta de vida, apenas de uma química anormal e inexplicada". Este estudo observa que "a fotoquímica das gotículas nas nuvens venusianas (de ácido sulfúrico) é completamente desconhecida".

É por isso que Greaves e seus colegas defendem uma observação mais aprofundada do fenômeno, primeiro para confirmá-lo, livrando-se, idealmente, do "filtro" da atmosfera terrestre, graças a um telescópio espacial. E, por que não, com uma nova visita, por sonda, a Vênus, ou a sua atmosfera.

O astrônomo da Observatório Europeu (ESO) Leonardo Testi, que não participou do novo estudo, disse que a não biológica produção de fosfina é excluída pela nossa atual compreensão da atmosfera de planetas rochosos. "Confirmar a existência de vida em Vênus seria extraordinário para astrobiologia, porém é essencial seguir em frente esse estudo para excluir possibilidades que o fosfina em planetas rochosos possa ter uma diferente formação química do que aqui na Terra".

Os pesquisadores utilizaram inicialmente o James Clerk Maxwell Telescope (JCMT), no Havaí, e depois 45 equipamentos do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile.

(FOTO: ESO)