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Pesquisa estima que RS tenha cerca de 108,7 mil casos de Covid-19Pesquisa estima que RS tenha cerca de 108,7 mil casos de Covid-19

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Publicado em 29/07/2020, Por Correio do Povo

A Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) divulgou, nesta quarta-feira, os resultados da sexta etapa da pesquisa sobre a prevalência do coronavírus no território gaúcho. Segundo os dados, estima-se que 108.716 pessoas têm ou já foram infectadas no Rio Grande do Sul, o que corresponde a um caso de infecção pela Covid-19 para cada 104 habitantes. 

De acordo com o último boletim da Secretaria Estadual da Saúde, divulgado nessa terça-feira, o Rio Grande do Sul já soma 1.680 mortes pela doença e 62.347 mil infectados.

Os dados da pesquisa foram apresentados pela coordenadora do Comitê de Dados do governo, Leany Lemos, e o médico epidemiologista e professor UFPel Fernando Barros. Para a análise, foram feitos 4,5 mil testes rápidos entre os dias 24 e 26 de julho, em nove cidades – Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria e Uruguaiana –, onde foram descobertos 43 novos casos positivos.

Entre os positivos, a maioria ocorreu em Porto Alegre, com 18 casos, seguido por Canoas, que teve 9, e Passo Fundo com 17. Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul e Santa Maria tiveram dois testes positivo em cada cidade, e Pelotas, Uruguaiana e Ijuí, um caso positivo em cada município.

Em comparação com os resultados da quinta etapa, realizada no final de junho, onde foram estimados 53 mil casos, a sexta fase da pesquisa mostrou que a prevalência de pessoas com anticorpos dobrou no Estado.

Segundo o professor, as melhores medidas de proteção contra o vírus continuam sendo o distanciamento social e a higienização. “Precisa isolar pessoas que são positivas e evitar eventos que disseminam a infecção. Uma pessoa positiva que chega em um bar pode infectar 30 pessoas. Atividades que disseminam a infecção precisam parar”, alertou.

Em relação ao isolamento social, o estudo mostrou o aumento da população que sai de casa diariamente, sendo destes 33,3%, os que saem apenas para atividades essenciais são 54,1%, e 12,6% representam o que estão sempre em casa.

“É uma grande doença que tivemos em 100 anos, entre duas guerras brutais, com outras pandemias que não tiveram essa mesma dimensão. Hoje está todo mundo exausto, trancados em casa, pensando 'até quando?' Nós não sabemos. Temos que nos cuidar. Ninguém sabe se essa doença pode ser leve ou catastrófica se for infectado. O vírus se manifesta de formas estranhas e traiçoeiras”, reforçou. 

Barros recomenda ainda ampliação de testes RT-PCR e reforçar as medidas de distanciamento social especialmente em Porto Alegre, Região Metropolitana e Passo Fundo. Sobre o decreto de lockdown, adotado por algumas cidades do interior, o professor da UFPel mostrou-se favorável a medida. “É melhor fazer do que não fazer. São decisões municipais com base no quadro que cada município tem. A medida de distanciamento social quanto mais fizer, melhor é”, afirmou.

O cronograma da pesquisa prevê mais duas etapas: a sétima deve acontecer de 15 a 17 de agosto, e a oitava, de 12 a 14 de setembro.

(FOTO: ALINA SOUZA)