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Covid-19 | Por que não é seguro dar festas, mesmo com todos testadosCovid-19 | Por que não é seguro dar festas, mesmo com todos testados

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Publicado em 25/06/2020, Por R7

Donas de duas festas realizadas em Brasília no último final de semana foram alvo de críticas nas redes sociais. A empresária Fabianne Fonseca e a socialite Flay Leite, 29, se sentiram seguras para fazer a comemoração - mesmo com mais de 1 milhão de casos de infecção pelo novo coronavírus no Brasil - porque seus convidados fizeram testes rápidos antes dos eventos.

A festa de Fabianne ganhou destaque após uma de suas amigas postar um vídeo em que mostrava enfermeiros fazendo testes em quem chegava ao local.

“Aniversário da Fabi e olha o que temos, só entra com o teste negativo de covid”, dizia na publicação. "Vamos curtir com segurança. Só entra Covid free", acrescentou. As duas desativaram seus perfis após a repercussão negativa do caso.

Porém, diferentemente do que elas pensaram, o resultado negativo do teste rápido - feito a partir de uma amostra de sangue retirada de um furinho no dedo - indica que as pessoas podem contrair o novo coronavírus, pois não têm anticorpos para combatê-lo.

 

Para que serve o teste rápido

"Nessa festa, todo mundo entrou suscetível e podia ter gente nos primeiros dias de infecção, sem anticorpos, mas que já estava transmitindo [o vírus]", afirma a infectologista Lina Paola, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

"O teste rápido não detecta se a gente está eliminando o vírus ele só detecta anticorpos. Ele vai identificar imunoglobulina G e M. Quem tem IgG, teoricamente, estaria imunizado", completa.

Ela ainda compara esse exame ao teste de gravidez, que não permite saber o tempo de gestação: "Não dá para saber a quantidade e o tipo. Ele só diz se tem ou não [anticorpos]", enfatiza.

 

Limitações

Ao liberar a venda desse tipo de exame em farmácias, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alertou que ele não serve para diagnóstico e o CFM (Conselho Federal de Medicina) emitiu nota em que manifesta preocupação sobre o tema.

"Esses testes apresentam deficiências, pois devem ser realizados após sete dias da apresentação dos primeiros sintomas”, ponderou.

Sete dias é o prazo necessário para que o organismo consiga produzir essa resposta do sistema imune em níveis detectáveis pelo exame - período conhecido como "janela imunológica".

Lina também cita uma pesquisa realizada na China que mostra que o anticorpo do tipo IgG, que é memorizado pelo organismo e protegeria contra futuras infecções, pode durar apenas três meses. "Então, não é porque a gente tem um anticorpo protetor que não pode pegar novamente", ressalta Lina.

Além disso, não haveria garantia de segurança na festa mesmo que só fosse permitida a entrada daqueles que tiveram o resultado positivo, ou seja, têm anticorpos porque, no passado, já foram infectados pelo coronavírus.

Em entrevista, Alessandro dos Santos Farias, professor do Instituto de Biologia e Coordenador da Frente de Diagnóstico da Força-Tarefa de enfrentamento ao novo coronavírus da Unicamp, explicou que o simples fato de ter anticorpos para uma doença não garante imunidade a ela.

"O que dá para dizer [com o resultado positivo] é que o sistema imune foi capaz de responder eficientemente ao vírus, mas a proteção é sempre uma combinação [da ação] de células e fatores solúveis dos sistema imune. O principal deles é o anticorpo", disse.

Ele ainda afirmou que o anticorpo detectado no teste rápido pode não ter efeito contra as proteínas responsáveis pela entrada do coronavírus na célula. Esse é mais um fator pelo qual ele não pode ser encarado como atestado de imunidade.

"O vírus está revestido de proteínas. Essas proteínas têm vários pedaços diferentes, que podem ser reconhecidos por anticorpos diferentes", descreveu Farias. "Pode ser que o anticorpo identificado pelo teste se ligue a uma proteína que não faz a menor diferença para que o vírus entre na célula".

Lina ainda ressalta que o anticorpo do tipo IgM - primeiro a ser produzido e que depois desaparece - corresponde à fase aguda da infecção, quando a pessoa está "eliminando bastante vírus" e, por isso, deve continuar em isolamento,

"Em teoria, o IgM começa a aumentar depois do décimo dia e vai diminuir lá pela terceira ou quarta semana", detalha.

 

Diferentes marcas e qualidades

A infectologista acrescenta que existem diferentes kits de testes rápidos aprovados e comercializados, mas não é possível garantir que todos tenham alta qualidade.

"São diversas marcas, diversos produtores. A sensibilidade [capacidade de identificar a presença de anticorpos] não é 100%", pondera. "São necessários testes com uma base cientifica melhor", conclui.

O teste que permite identificar uma infecção ativa pelo novo coronavírus é o RT-PCR, feito com base em biologia molecular, pois detecta a presença do material genético do vírus.

(FOTO: CANVA)