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Pesquisa indica que proporção de pessoas com anticorpos para coronavírus aumentou 53% no paísPesquisa indica que proporção de pessoas com anticorpos para coronavírus aumentou 53% no país

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Publicado em 12/06/2020, Por Assessoria de Imprensa

A segunda fase da pesquisa que reúne dados sobre o coronavírus no país indica que, em duas semanas, a proporção de pessoas com anticorpos para a doença — ou seja, que já foram ou estão infectadas — aumentou 53% no Brasil. O estudo é realizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e financiado pelo Ministério da Saúde.

Em 83 cidades do país, foram entrevistadas e testadas, em cada uma, 200 ou mais pessoas nas duas fases da pesquisa. Nessas cidades, a proporção da população com anticorpos aumentou de 1,7% na fase um para 2,6% na etapa dois. Esse aumento de 53% foi "estatisticamente significativo e é inédito em estudos similares", aponta a instituição. Na Espanha, por exemplo, um "estudo semelhante indicou aumento de apenas 4% entre as duas etapas da pesquisa", diz o texto divulgado pela UFPel.

— O que mais nos chama atenção é o aumento no número de casos, que é espantoso. Mesmo que o Brasil tenha saído atrás de muitos países em relação à doença, hoje, certamente, somos o que tem maior velocidade de expansão da covid-19 no mundo — alerta o coordenador-geral do estudo e reitor da UFPel, Pedro Curi Hallal.

Hallal ressalta que o aumento de 53% é uma média entre as cidades. Em algumas delas, as diferenças entre os resultados da primeira e da segunda etapa foram mais acentuadas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a proporção estimada de pessoas com anticorpos para o coronavírus aumentou de 2,2% para 7,5%. Em Maceió, o aumento foi de 1,3% para 12,2%. Em Fortaleza, de 8,7% para 15,6%.

No total da segunda fase, realizada entre 4 e 7 de junho, pesquisadores concluíram 31.165 entrevistas e testes para o coronavírus em 133 cidades espalhadas por todos os Estados brasileiros. Em 120 cidades, incluindo 26 das 27 capitais (com exceção de Curitiba), foi possível testar pelo menos 200 pessoas em cada, todas selecionadas por sorteio.

Para fins de comparação, na primeira etapa da pesquisa, ocorrida entre 14 e 21 de maio, foram entrevistadas e testadas 25.025 pessoas, sendo que em 90 cidades foi possível testar 200 ou mais participantes. Os participantes do levantamento foram selecionados por meio de sorteio. A coleta de dados é feita pelo Ibope. Uma terceira fase irá concluir o levantamento.

No conjunto das 120 cidades que alcançaram 200 ou mais entrevistas na fase 2 da pesquisa, a proporção de pessoas com anticorpos foi estimada em 2,8%. Esses dados já levam em consideração a taxa de falsos positivos e falsos negativos do teste rápido utilizado. Essas 120 cidades correspondem a 32,7% da população nacional, totalizando 68,6 milhões de pessoas, entre as quais 1,9 milhão estão ou já estiveram infectadas.

O reitor rechaça, contudo, que os resultados da pesquisa sejam usados para estimar o número absoluto de casos no Brasil, porque há variação de diversos fatores, como o tamanho da população de cada cidade:

— Não fazemos essa estimativa de quantos casos têm no país, porque não se sabe exatamente a realidade da doença em cada cidade. Seria equivocado. No entanto, sabemos que a contagem de pessoas com anticorpos no país está na casa dos milhões, e não mais dos milhares.

 

Região Sul está entre as com menor prevalência

Conforme a pesquisa, a diferença entre as regiões do país é marcante. Das 15 cidades com maiores prevalências. 12 estão na Região Norte e três, no Nordeste. Na Região Sul, nenhuma cidade apresentou prevalência superior a 0,5%, e, na Centro-Oeste, apenas três cidades superaram esta marca.

Segundo os pesquisadores, esse resultado confirma que a Região Norte tem o cenário epidemiológico mais preocupante do Brasil, o que já havia sido mostrado na primeira fase da pesquisa.

No RS, sete cidades (Caxias do Sul, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Uruguaiana) integram a lista das 120 em que foi possível concluir 200 ou mais entrevistas e testes. Todas elas indicam proporção de pessoas com anticorpos para a doença menor do que 1%.

Hallal analisa que alguns fatores contribuíram para o cenário mais favorável no RS, mas alerta que os cuidados devem continuar sendo tomados:

— O Estado começou cedo com as medidas de distanciamento e é um dos que a população mais respeita essas imposições. A política de distanciamento controlado, mesmo que se tenha críticas a ela, é bem pensada. Além dessas boas políticas, vemos que os gestores têm ouvido os pesquisadores e, o mais importante, a população tem feito sua parte. No entanto, vemos que, nos últimos dias, houve um descumprimento grande do isolamento. Se começarmos a descumprir as medidas, podemos ter consequências negativas.