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Coronavírus | As vacinas e os tratamentos que são a esperança de derrotar o vírusCoronavírus | As vacinas e os tratamentos que são a esperança de derrotar o vírus

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Publicado em 24/03/2020, Por GaúchaZH

Enquanto centenas de milhões de pessoas recolhem-se em casa para contribuir no combate à pandemia, pesquisadores estão enfurnados em hospitais e laboratórios para desenvolver armas eficazes contra o coronavírus.

Pelo mundo todo, incluindo no Brasil, dezenas de grupos trabalham neste momento para criar uma vacina eficaz. Eles seguem caminhos e técnicas distintos, mas o objetivo é comum, e as perspectivas, promissoras. Na China e nos Estados Unidos, testes em humanos inclusive já começaram na semana passada.

Não há dúvida de que os cientistas conseguirão produzir uma ou mais vacinas capazes de imunizar as populações contra o novo vírus, impedindo as infecções e o aparecimentos dos sintomas da covid-19. No entanto, ainda que uma empresa de Israel tenha prometido disponibilizar uma formulação para breve, o mais provável é que só haja uma vacina disponível no prazo de 12 a 18 meses. Esse é o tempo necessário para vencer todas as etapas necessárias.

Enquanto a dose imunizadora não vem, os pesquisadores também buscam encontrar tratamentos eficazes para combater a doença em quem está infectado pelo vírus, em um esforço para reduzir a contagem de vítimas, que já ultrapassa os 15 mil mortos. A principal iniciativa nesse sentido é o Projeto Solidariedade, da Organização Mundial de Saúde (OMS), desencadeado na semana passada.

A OMS elegeu quatro medicações ou combinações de drogas que se mostraram promissoras em debelar a covid-19 e lançou um inédito e gigantesco mutirão internacional para testá-las e obter dados científicos robustos sobre o que funciona melhor com a doença. A estratégia da organização é examinar a eficácia de antivirais já existentes e de medicações que estejam em desenvolvimento para tratar outros tipos de coronavírus, o que é uma forma de colher resultados com a velocidade exigida pela situação de emergência global (veja detalhes no quadro).

— É importante obter respostas rapidamente e descobrir o que funciona e o que não funciona — explicou Ana Maria Henao-Restrepo, do departamento de imunização da OMS.

 

EM BUSCA DO TRATAMENTO

Na semana passada, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou o Projeto Solidariedade, uma mobilização inédita para a realização de testes clínicos de possíveis medicações contra o coronavírus, envolvendo serviços médicos de todo o mundo:

O que é o projeto: Em pleno andamento da pandemia, a eficácia de tratamentos contra o coronavírus será avaliada a partir de um esforço coordenado que vai envolver hospitais de diferentes partes do planeta. A meta é abranger milhares de pacientes e dezenas de países, de forma a obter dados robustos em um curto período.

Como vai funcionar: Foi estabelecida uma sistemática simples, para que mesmo hospitais sobrecarregados pelo coronavírus tenham condições de participar. Quando um paciente com covid-19 for diagnosticado e considerado elegível, o médico alimentará o site da OMS com os dados dele. O profissional indicará as drogas disponíveis, e o site determinará de forma randômica qual tratamento usar. Os médicos deverão informar a evolução diária do paciente. Essas informações serão comparadas para identificar o que funciona e o que não funciona.

Quem vai participar: Entre os países que já se engajaram estão França, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Argentina, Irã e África do Sul.

Quais são os tratamentos testados: Em lugar de tentar desenvolver um tratamento do zero, o que levaria anos, a OMS resolveu testar drogas ou combinações já aprovadas para outras doenças ou substâncias em desenvolvimento que já se mostraram promissoras contra doenças causadas por outros coronavírus (como sars e mers). Foram elegidos quatro tratamentos, que podem mudar conforme os resultados forem aparecendo:

 

REMDESIVIR

O que é: Desenvolvido para combater o vírus Ebola, o Remdesivir não mostrou eficácia durante um surto ocorrido no ano passado na República Democrática do Congo. Mas ressurgiu como uma das principais apostas contra o coronavírus.

Como age: O Remdesivir inibe uma enzima que é vital para o vírus conseguir se replicar. Em 2017, fazendo testes em laboratório e em animais, cientistas da Universidade da Carolina do Norte (EUA) demonstraram que o composto conseguia realizar essa tarefa nos coronavírus que causam a sars e a mers.

Por que está em estudo: Nos Estados Unidos, foram relatados alguns casos de pacientes graves da covid-19 que se recuperaram depois de receber o medicamento, entre eles o primeiro doente diagnosticado no país, um jovem que apresentou melhora um dia depois de o remédio ser ministrado. A aplicação é intravenosa e a toxicidade é baixa.

 

CLOROQUINA E HIDROXICLOROQUINA

O que são: Esses dois medicamentos se tornaram famosos nos últimos dias. Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que eles permitiriam virar o jogo contra a covid-19, o que provocou uma corrida às farmácias. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reclassificou as duas drogas como produtos especiais de venda controlada, receosa de que o público a adquirisse para uso preventivo, o que seria perigoso, e também porque pacientes que realmente precisam das substâncias não as estavam mais encontrando à venda.

A OMS originalmente não havia incluído a cloroquina e a hidroxicloroquina entre os compostos promissores contra a covid-19, mas mudou de posição devido à atenção que estavam recebendo em diversos países.

Como agem: São remédios usados há décadas para o tratamento da malária. Eles atuam nos endossomos, compartimentos das células que o vírus pode usar para entrar. No entanto, essa não é a principal forma de entrada do novo coronavírus.

Por que estão em estudo: Testes com células cultivadas em laboratório sugerem que as drogas têm efeito contra o coronavírus, mas em doses elevadas, bastante tóxicas. Pesquisadores chineses e franceses relataram sucesso em pacientes de covid-19, os primeiros com a cloroquina e os últimos com a hidroxicloroquina, mas as evidências ainda são consideradas fracas pela comunidade científica.

 

RITONAVIR + LOPINAVIR

O que é: Essa combinação de drogas é usada há duas décadas no combate ao HIV.

Como agem:  Os dois são inibidores de protease. O lopinavir inibe uma enzima do HIV associada à multiplicação do vírus, enquanto o ritonavir faz o lopinavir persistir ativo por mais tempo no organismo.

Por que estão em estudo: A expectativa é que a combinação seja eficaz para inibir a protease de outros vírus além do HIV. Foi demonstrada eficácia no tratamento de saguis infectados com o vírus da mers. Em Wuhan, na China, 199 pacientes receberam um tratamento de duas pílulas ao dia, mas não houve grande diferença de resultado em relação a pacientes que não tomaram essa medicação. No entanto, eram pacientes em estado muito grave, e o combinado pode ter sido oferecido tarde demais. Não é uma medicação tóxica, mas pode causar dano ao fígado.

 

RITONAVIR + LOPINAVIR + INTERFERON-BETA

O que é: O interferon-beta é usado no tratamento da esclerose múltipla. A ideia é usar essa substância em combinação com o ritonavir e o lopinavir para potencializar o combate ao novo coronavírus.

Como agem: O interferon-beta é uma molécula que atua na regulação de inflamações, enquanto as outras duas drogas inibem proteases associadas à multiplicações de vírus.

Por que estão em estudo: Como no caso da combinação lopinavir/ritonavir, o interferon-beta mostrou eficácia na recuperação de saguis infectados com mers. Já há um estudo em andamento na Arábia Saudita em que as três drogas são usadas em conjunto para tratar mers. No entanto, em pacientes graves de covid-19, há risco de que o interferon-beta cause dano a tecidos.

 

AS VACINAS

Pelo mundo todo, laboratórios trabalham para desenvolver vacinas contra o novo coronavírus. Confira algumas das pesquisas em andamento:

China

Uma vacina desenvolvida pela empresa CanSino Biologics e pela Academia Militar de Ciências Médicas da China já foi testada em animais e, segundo os pesquisadores, teve bons resultados de segurança e de imunização.

Na sexta-feira (20), começaram os testes em humanos, com a aplicação em 108 voluntários saudáveis que não têm a doença, de 18 a 60 anos, em um hospital de Wuhan. Eles foram divididos em três grupos e serão acompanhados por seis meses.

A vacina começou a ser desenvolvida em janeiro, quando a China enfrentava um pico de casos, e se baseia no uso de antígenos específicos que podem gerar uma resposta imune, mas sem a presença de substâncias capazes de causar infecção.

A CanSino não estabeleceu um prazo, mas informou que trabalha para tornar a vacina disponível o mais rápido possível. A perspectiva é que uma única dose garanta a proteção.

Estados Unidos

Em 16 de março, uma vacina financiada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e desenvolvida pela empresa de biotecnologia Moderna começou a se testada em 45 adultos saudáveis, de 18 a 55 anos. Uma segunda dose, no braço, será aplicada depois de 28 dias. Nesta primeira fase, os voluntários serão observados por seis semanas, para verificar a segurança das doses. Na fase seguinte, será avaliada a eficácia.

A vacina norte-americana foi desenvolvida em tempo recorde porque se baseou em estudos já feitos sobre outros tipos de coronavírus, para o combate da sars e da mers. Ela utiliza a técnica de RNA mensageiro, em que se copia o código genético do vírus em vez de usar o vírus atenuado ou inativado.

Até a vacina estar disponível, acredita-se que será necessário pelo menos um ano.

Israel

Dez dias atrás, um grupo de cientistas israelenses ganhou manchetes mundo afora ao anunciar que teria pronta uma vacina contra o coronavírus em "questão de semanas". O grupo atua no Instituto de Pesquisa da Galileia (Migal), financiado pelo governo de Israel.

A estratégia do Migal consiste em adaptar uma vacina já existente usada na prevenção da bronquite infecciosa das galinhas, com base na similitude genética do coronavírus das aves e do novo coronavírus humano. Os pesquisadores afirmaram que em fevereiro, num lance de sorte, fizeram uma importante descoberta que permitiria ajustar a vacina que já existe, acelerando muito o desenvolvimento.

O anúncio foi de que os testes em humanos começariam em oito a 10 semanas, com a expectativa de que a vacina esteja disponível em um prazo de 90 dias.

Alemanha

No meio de março, veio a público a informação de que o presidente norte-americano Donald Trump havia tentado obter os direitos exclusivos de uma vacina em desenvolvimento pela farmacêutica alemã CureVac. A empresa negou ter recebido qualquer oferta do governo dos Estados Unidos, mas autoridades alemãs e o principal acionista da companhia insistiram que houve a tentativa.

O episódio chamou atenção para as pesquisas que vêm sendo realizadas pela CureVac, que, segundo sua executiva Mariola Fotin-Mleczek, encontra-se em uma posição única para "combater qualquer doença infecciosa, não importa se sazonal ou pandêmica", graças ao domínio de técnicas de combinação de RNA mensageiro, conhecimento de doenças e produção de vacinas.

Depois da suposta investida norte-americana, a Comissão Europeia concedeu 80 milhões de euros à empresa, que planeja iniciar os testes de sua vacina em junho. A expectativa é que a CureVac possa produzir milhões de doses a baixo custo.

Brasil

O Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (USP) trabalha no desenvolvimento de uma vacina a partir de partículas semelhantes a vírus, as chamadas VLPs. O pesquisador responsável, Gustavo Cabral, disse à Agência Fapesp que as vacinas tradicionais, baseadas em vírus atenuados ou inativados, são muito efetivas, mas, dado o fato de o novo corona ser um vírus pouco conhecido, é mais seguro evitar a inserção de material genético no organismo humano. A estratégia adotada na USP é usar as VLPs, que, por serem parecidas a vírus, são facilmente reconhecidas pelo sistema imunológico, mas sem ter DNA de vírus. As partículas serão inoculadas com antígenos de coronavírus, que fazem o organismo produzir anticorpos, ou seja, uma resposta imunológica que, espera-se, seja capaz de desencadear uma resposta imune ao coronavírus real.

Os pesquisadores dizem que poderiam testar a vacina em animais nos próximos meses.